Pra quem ainda não viu esse anúncio deslizando na sua timeline, é um anúncio de uma mãe que diz buscar mulheres ou garotas que queiram compartilhar um apartamento num bom ambiente e colabore com as necessidades dela. A designer Patrícia Gomes Benfica Malizia, de 44 anos, acredita que existam pessoas que precisem do que ela pode oferecer e possam conviver bem com essa forma de acordo.

Na minha opinião, a atitude dessa mãe é mais um exemplo do reflexo do sistema escravista.

O desconhecimento da nossa própria história, história do nosso país, faz com que situações como essa ainda aconteçam com a maior naturalidade.

O sistema capitalista é um sistema herdado do sistema escravista. Aboliram o tráfico de negros e os poderosos da época decidiram contratar pessoas para tornar mais justa as relações de empregado e patrão. Apenas para amenizar os atos desumanos que eram praticados antigamente.

A má distribuição econômica é o grande vilão da desigualdade social. No sistema escravista os negros foram condenados e abusados. Passamos para o sistema capitalista os herdeiros do escravismo continuaram no poder. E com isso brancos e negros são vítimas da injustiça.

Atualmente, não conseguimos mais separar os ricos herdeiros dos ricos emergentes. Muitas pessoas são ricas por criarem negócios, mas o padrão de que ser rico, estudado e ter a cor da pele clara ainda é moeda de poder.

O valor do dinheiro é o valor que damos a ele. Porque uma nota de papel não consegue por si só produzir algo. Quem dá valor ao dinheiro somos nós, forçados pelo sistema capitalista.

Quem move o dinheiro é a produção de produtos e serviços. Ignorando o dinheiro por um momento. Se tivéssemos que optar por ter uma pessoa cheia de ideias ao nosso lado ou uma que colocasse as ideias em pratica, por quem optaríamos? Porque faço essa pergunta? Porque normalmente a pessoa “importante” e valorizada é quem tem dinheiro e não quem realmente produz.

Se a pessoa que não produz valor (a pessoa que não cria, não gera gerar valor concreto) é super valorizada e consequentemente a pessoa que gera valor (que cria e produz produtos concretos) é desvalorizada, que tipo de justiça é essa? Quando uma marca de roupa produz seus produtos a base de trabalho ilegal (trabalho escravo) e exagera no valor de venda baseado na sua marca, não pagando bem seus funcionários, essa empresa está gerando injustiça e fortalecendo a desigualdade social.

É por esse tipo de situação que rico fica cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre.

Voltando ao anúncio…

A ideia de se morar numa casa compartilhada é de dividir tudo, se não for dividir tudo não é compartilhar, é escravizar algum lado.

A atual crise brasileira é a desenfreada gana por ter dinheiro, a diabólica ideia do Pink e o Cérebro (desenho animado), de querer dominar o mundo. Ideia que só leva os dois pro buraco, porque dominar o mundo é sinal de loucura.

A necessidade de rever padrões é uma necessidade de toda a sociedade, antes de querer manter padrão social e explorar outras pessoas. A opção é morar num lugar mais simples, se precisa de uma pessoa que cuide do filho, economizar para pagar essa pessoa conforme as leis. E não aproveitar da pessoa dizendo que está oferecendo vantagens. O que no fundo são obrigações do empregador, a oferta de benefícios para exercer todas as atividades que são exigidas.

Em outros países é muito comum garotas do colegial ou universitárias trabalharem como babá. Elas ganham um salário semanal ou mensal, tem direito a moradia e dias ou períodos de descanso/ folga. Mas, não sem ter vínculo empregatício.

Como bem dizia meu professor de Negociação, o Wagner Geribello, “uma negociação só é válida quando realmente favorece ambos os lados, caso contrário, não é uma negociação, não é uma acordo justo.” Deveria ser uma constatação óbvia, mas, nem todo mundo percebe e segue essa conduta quando negocia.

Enquanto olharmos para outro e não conseguirmos perceber que estamos na mira da mesma crise vamos retardar as soluções. Os problemas que só afetavam as favelas e alguns que achavam que era problema de pobre sempre foi problema de todos. Ignorar isso só está fazendo com que o problema da favela avance para todos ambientes da nossa sociedade.

Sonhando com um mundo mais colaborativo e empático. #ForaOportunistas!

Beijos de luz,
Michelle Cruz
Se a luz não iluminar seu caminho que, pelo menos, fulmine as ideias ruins.