Comecei a crochetar como terapia. A terapia se tornou minha forma de fazer arte e a arte se tornou uma forma de renda. Nunca consegui fazer dela meu emprego, mas, sigo tentando.

Nesse post vou contar como desenvolvo essa arte e trabalho.

Primeiro ponto, “nada se cria tudo se transforma” ou se tenta copiar… rs… toda criação tem uma inspiração ou referência. Pode ser algo que eu imagine ou já vi, pode ser uma imagem que uma cliente quer que eu copie.

Para quem gosta de criar, copiar é a coisa mais horrível e sufocadora. E sem contar que é algo quase impossível copiar uma arte feita a mão. É por isso que o valor emocional e o desenvolvimento da peça é tão especial.

Minha cliente me mandou a seguinte imagem… confeccionado pela russa Snezhana Tarasova. Quando a cliente enviou a foto eu fiquei apreensiva com o desafio de fazer a peça. E logo fui consultar as amigas do crochê, geralmente, senhoras crocheteiras e tricoteiras.

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Maiô em crochê

Uma das minhas amigas me ajudou a começar a peça, me deu dicas e voltei pra casa pra desenvolver.

Para confeccionar uma peça é preciso ter um molde, uma ideia do que quer fazer. Para dar forma a essa ideia é preciso ‘colocar a mão na massa”, criar um modelo, um protótipo.

Eu cheguei a mandar uma mensagem para a crocheteira russa pra saber se ela poderia me ensinar ou vendia a receita. E ela me mandou um link que ela ensina, em russo – Postagem de como fazer o maiô.

O primeiro desenho que fiz…

Criei um molde em tamanho real, com as medidas da cliente e continuei a fazer os testes…

Crochetando pra chegar no desenho eu fiz mais de 5 tentativas. Crochetava, errava, desfazia, recomeçava, crochetava, errava… foram várias vezes dessa brincadeira. Minha mãe quando me via fazendo só perguntava “mas vai desmanchar de novo?”. E eu “Sim!”. Eu tinha que refazer pra acertar, é errando que se aprende, né? Isso leva tempo, paciência e habilidade.

Pra conseguir a parte central pronta me dediquei uma semana, não fico 24 horas em cima da peça. Todo dia faço um pouco.

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Depois de duas semanas consegui terminar a peça e entregar pra cliente.

Quanto vale esse trabalho pra você?

Costumo ouvir que trabalho de crochê é simples, “coisa de vó”, que tem que ser baratinho. Como cobrar barato um trabalho tão detalhado e feito a mão?

Se continuarmos super valorizando as marcas sem avaliar a qualidade e o quanto as mesmas colaboram com a sociedade vamos continuar fortalecendo a injustiça social.

Um maiô como esse dependendo do material custa por volta de R$250. Não é uma peça barata, calculando gasto com materiais e o tempo que é gasto para confeccionar é um valor justo.

Entender o processo nos ajuda a avaliar as nossas compras, se toda a cadeia de produção está sendo beneficiada. Pensando que isso colabora para tenhamos uma sociedade comercial mais justa.

 

Beijos de luz,
Michelle Cruz
Se a luz não iluminar seu caminho que, pelo menos, fulmine as ideias ruins.