Tudo aquilo que sinto, mas não digo, fica calado no meu peito. Queria gritar aos quatro ventos sobre o que vejo e sinto, falar da chuva, do cachorro do outro lado da rua, da vida nua e crua. Mas, não digo. Porque as coisas simples parecem loucura, assunto desnecessário, fora de moda, conversa de otário.  Eu tenho bloqueio. Eu tenho medo. É um monstro que me devora por dentro. Eu não o vejo, mas sei que em minha alma ele mora. Tudo que sinto e penso parece frescura ou bobeira, fico com vergonha e escondo os meus sentimentos. Acho lindo ver os pássaros voando e cantando, é como se estivessem falando comigo. Emitem sons que curam até os mais oprimidos. As coisas do dia dia, uma risada, um copo de água, uma piada podem nos salvar de doenças do corpo e do espírito. O melhor remédio pra quem não tem amor é a fé de que tudo pode ser reconstruído. A cama, a casa, o carro, a amizade e quem se diz imperfeito. Sinto tudo isso e não digo. Eu acúmulo tudo que deveria por pra fora, coisas boas e ruins, escondo do mundo. Quando na verdade, queria gritar “Esse é o meu o meu mundo” e me dar o direito de cometer erros em público. Sem me sentir uma louca. Mas, não, não digo nada porque tenho medo. Alguém pode me julgar, porque eu julgo quando não falam do que eu acredito. Julgo não ter nada haver comigo, recuso e, as vezes, condeno. Não assumo. Não aceito. Não compartilho. Por vergonha e medo. Eu tento, mas não digo, não consigo. Alguns momentos até enfrento, mas não assumo em público. Que tenho medo do escuro, que sofro, que tenho medo de quase tudo e que eu só queria um abraço pra ver se passava logo esse sentimento confuso. De alegria e tristeza. De tristeza e alegria. Dos extremos. Queria alguém que entendesse esse sentimento, que tivesse empatia e ouvisse como é triste estar sozinha sem ter pra quem contar o que sinto por dentro. Não sei por onde começo… mas o pássaro me disse que eu deveria falar. Ainda não sei. Um dia… eu falo dos meus sentimentos.

 

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