Bebe
E se diverte
Na noite
Dois seres
Que aproveitam a noitada
Entregues aos seus desejos
Nem pensam em preservativos
E comentem uma grande burrada
De um flerte
De uma pegada inconsequente
Deram início a uma semente
Um inocente
E de repente
A confusão estava formada
A garota vira mãe
E o baladeiro não vira nada
Só Deus sabe onde estará o ser
O gostoso da balada
Que inconsciente já é considerado um delinquente
Porque vai ter um filho e não sabe de nada
A mãe aguenta os 9 meses
Ouvindo conversa de todo tipo de gente
Que ela é uma depravada
Que se fosse esperta não estava condenada
A ser a maior culpada
E como sempre
Quem sobra é o dono da bola
Ou da bomba

A mãe
Com tanta pressão
Afunda numa depressão
Com ajuda da família da mãe imatura
Uma família desestruturada
Vai pra rua
Vira uma desabrigada
E joga o filho no lixo
Como se fosse produto
Da mesma forma que foi descartada

A vida é um círculo vicioso
Alguns os quebram
Muitos engrenam
E outros só copiam

A criança vai parar num orfanato
Cresce com título de coitado
Cresce penalizado
Sem pai
Sem mãe
Com roupa e comida
Sonhando com uma vida digna

Sonhar é direito de todos
Realizar é privilégio de alguns
Quem vai ajudar o coitado?
Que quando completou 18 anos
Já era um homem formado
Sem emprego
Sem família
Sem falar do seu passado
Agora leva título de folgado

Inocente é um óvulo
Não se pode cometer aborto
Coitado do menino
Ele precisa de consolo
Folgado esse moço
Que vai virar ladrão
Esse é o destino
Um jogo de cartas marcas
Partida manipulada por uma nação

O que importa a essa altura da vida o seu passado?
Se dizem que todo mundo sempre tem oportunidade
Como se bastasse decidir pelo que é mais favorável
Como impedir a noite da balada
Ou ter nascido numa família estruturada

Injustiças da vida
Todo mundo pode ter uma nova realidade
Quando se tem oportunidade
E se quebra o vício
De se repetir as mesmas bobagens

Será que precisamos falar sobre equidade?

Beijos de luz,
Michelle Cruz
Se a luz não iluminar seu caminho que, pelo menos, fulmine as ideias ruins.