Hoje é um dia de comemoração, é o dia das Mães. Uma data gostosa que as famílias se encontram para festejar, para rever pessoas que não conseguem ver com frequência. O comércio aguardar essa data para faturar. Muitos sentimentos rolam nessa data.

O importante é parabenizar as mães, independente de onde ela esteja, como ela seja. Mãe é sempre mãe. É a que gera. É a pessoa que cria vínculos e fortalece relações. Se estamos aqui é porque alguém nos gerou, ter a chance de estar nesse mundo é trunfo delas. Parabéns à TODAS as mães.

Eu tenho mãe viva, mas, a minha avó foi como mãe pra mim. Ela quem me acompanhou  a maior parte da minha vida. Ela que me levava para passear, que cuidava de mim em casa, que brincava, que viajava comigo. Isso foi muito bom, ela preencheu o lugar de mãe.

O que tomou o lugar da minha mãe, porque ela era ausente, ela casou antes de terminar a faculdade, com 23 anos. E logo na lua de mel eu já fui providenciada. O que fez com que tudo se enrolasse e não fosse da maneira que ela sempre quis.

E isso criou uma barreira entre nós, situações que entendo agora mais velha. A maioria dos eventos e festas que eu ia, quem me acompanhava era a minha avó. E para uma criança isso tem muito valor. Isso me fez desgostar dessa data. A maioria das amigas tinham a mãe junto e eu nem sempre. Minha vó sempre estava lá, mas, criança é fogo quer ter quem ela quer. Se outros tem por que eu não tinha?

A questão da pressão social em casar logo e ter filhos deveria ser considerado crime. Essa decisão muda a vida de uma pessoa completamente. E condena várias. A mulher que não teve tempo de viver tudo o que queria. A criança que cai de paraquedas e quer atenção, não entende porque a vida dela não é como dos amiguinhos. Uma tremenda bola de neve que se forma.

Quando alguém me questiona se penso em casar e ter filhos, olho a minha história e digo que não. Ainda não encontrei o pai, ele nem me pediu em casamento e nem me disse que quer ter filhos. Tem muitas etapas até se decidir em ter um filho.

Hoje tenho muito forte em mim não ter filhos por medo de repetir o que eu vivi, querendo ou não, temos muito dos nossos pais em nós. E isso me faz pensar e repensar na questão de relacionamentos e ter filhos. Assuntos distantes pra mim, atualmente… minhas amigas acham que tenho super jeito com crianças que eu ainda vou ter. Opiniões. E ponto.

Ainda estou na jornada de me realizar profissionalmente antes de pensar numa vida a dois que vá frutificar com outras vidas.

Tenho um repeito enorme pela minha mãe, mas, não tenho nenhuma conexão com ela. Porque criei conexão com a minha avó. Eu amo minha mãe, mas, não tenho histórias com ela. Não tive super aventuras com ela para contar. E isso é duro para ela. E eu não tenho como fantasiar. As minhas histórias foram com a minha avó. E ela não está mais aqui, ela partiu em 2011. Era tão grande a nossa conexão que eu cheguei de viagem no dia 07 de junho de 2011 e ela faleceu um dia depois. Eu fui visitá-la no dia 07 e os batimentos estavam fracos e quando comecei a conversar com ela os batimentos aumentaram. Ela me esperou pra partir… foi muito marcante, forte… sou eternamente grata por tudo o que ela fez por mim…

Com a minha história aprendi e aprendo muita coisa…

Seguir padrão social é loucura, ninguém que te pressiona vai estar do seu lado quando os momentos ruins chegarem. Decidir por um casamento enquanto não se realizou quando solteira é ir realmente para forca e considero falta de amor próprio. E quando decidir por ter filhos é preciso estar disposta a viver pra essa criança. A frustração é enorme para ambos os lados: filho e mãe.

Estou falando tudo isso porque se vemos várias crianças nas ruas, se vemos adultos perturbados e perdidos emocionalmente, muitos desses casos estão ligados a frustrações ao longo da vida.

E por mais que não seja agradável pesar para mulher a responsabilidade de gerar um filho, a mulher tem que pensar nela antes de qualquer coisa, de qualquer tipo de pressão.

Eu sonho com um mundo melhor e sei que pra isso tenho que fazer a minha parte. Minha auto-realização é a prioridade. Pode parecer egoísmo, infelizmente, aprendi com a minha mãe que deixar os outros decidirem por mim pode me fazer repetir a mesma história. E isso eu não quero.

Ser sincera com a própria vida faz parte de “Meu corpo, Minhas regras”. Não basta participar de movimentos sociais querendo condições melhores para as mulheres, se eu não sou uma mulher melhora pra mim mesma. Essa questão é uma das etapas para o empoderamento feminino.

Percebo que temos que parar de falar de ‘achismos’, de continuar na bolha da fantasia dizendo que está tudo bem quando não está. É preciso experimentar o novo, mudar os costumes para mudar nossa história.

mahatma

Que o dia das mães seja todos os dias, na vida daqueles, que como eu, não tiveram a mãe presente. Que possamos tentar resgatar o tempo perdido, buscando fortalecer as relações com sinceridade. Enquanto estamos vivos ainda temos tempo pra refazer e desfazer erros. É disso que a gente gosta e precisa.

Novas histórias, novas reviravoltas, novos momentos, novos acontecimentos…

Feliz dia das mães!

Beijos de luz,
Michelle Cruz
Se a luz não iluminar o seu caminho que, pelo menos, fulmine as ideias ruins.