Quando volto a pensar nas situações ruins que passei, geralmente, é porque vejo cenas se repetindo. Não sinto a mínima alegria ou prazer em falar de problemas e coisas ruins. Quando falo de racismo não gosto nem um pouco de ser colocada como vítima, mas, não dá pra ser positiva quando sofro alguma injustiça. É muita hipocrisia e indiferença comigo mesma.

Por muito tempo me calei, deixei de desabafar essas situações. Desabafar aqui no blog tem me ajudado muito, é uma espécie de terapia. Tem feito com que eu me fortaleça e pare de ter vergonha do que fizeram comigo. E mais ilógico que seja, o medo do agressor me fez sentir vergonha, me sentir errada por ser humilhada. Como se tivesse alguma maneira de fugir de quem era injusto. Doideiras!

Eu sou uma pessoa muito positiva, sempre procuro uma solução que me afaste do que ou quem está me atrapalhando. O que nem sempre é possível. Eu evito o máximo o conflito, eu tento, mas, nem sempre consigo. Sou o tipo de pessoa que todo mundo vai perceber se estou bem ou não. A pessoa “transparente”, sincerinha… rs!

Já passei por situações muuuuuito ruins, daquelas que a gente não quer que nem nosso inimigo passe. Porque é realmente desumano. E é por isso que evito dar nomes das pessoas que me fizeram mal.

Acredito que toda pessoa comete erros. Eu cometo erros. Temos atitudes erradas. Agimos sem pensar. Infelizmente, é dessa forma que evoluímos, errando e corrigindo erros. Por acreditar nisso não consigo dizer ” fulano é um erro”. É muito pesado. Não dá o direito da pessoa se arrepender, se redimir ou se corrigir.

É claro que, existem situações que não há correção. Ainda assim acredito que as pessoas merecem perdão. É difícil? É! Entendo o perdão como não querer revidar, é não guardar mágoa, é simplesmente deixar o tempo aquietar a dor e seguir novos rumos. Fácil não é, mas, é a única maneira de tentar superar momentos chatos.

Estou falando tudo isso porque falamos tanto que somos bons, que não somos de arrumar briga, que tentamos apaziguar e quando acontece alguma coisa ruim com a gente, logo nos rebelamos e queremos justiça.

O que nos torna justiceiros. Justiça é deixar que um juiz acerte as contas. O que eu poderia ter feito denunciando o que aconteceu comigo. Mesmo sabendo que pra provar seria algo complicadíssimo. Mas, era essa a oportunidade. Nada adianta eu tentar brigar ou agredir verbalmente essas pessoas. Até porque eu seria considerada errada.

É complicado pensar em aguardar a justiça terrena ou divina. Mesmo sendo difícil, acredito no poder superior, acredito que aqui se faz e aqui se paga.

Eu desejo que cada pessoa que e me afetou seja feliz. Primeiro, porque gente feliz não dá trabalho… rs… segundo, porque eu preciso gerar aquilo que quero que retorne pra mim.

Quando escrevo os textos de desabafo não é pra crucificar ninguém, é pra dizer que certas situações estão ocorrendo e precisamos estar alertas pra não repetir esses atos ruins.

Pra ser sincera, tenho medo desse sentimento de revolta e “justiça” a todo custo que vejo nas redes sociais, quando alguém é descoberto fazendo algo errado ou surgem boatos logo fuzilam a pessoa. E criticam a pessoa pelo que ela nem fez, acabam falando mal até de quem nem tem culpa diretamente, os familiares e amigos que convivem com o dito que fez o que não deveria.

Errou? Erro! A pessoa precisa precisa pagar por isso? Precisa. Nós temos o direito de julgar e condenar? Não temos. Temos o direito de reclamar que estamos sendo afetados, apenas isso. Precisamos entender os limites de nossas ações, direitos e deveres.

Qualquer revolta a mais do que falar o que realmente aconteceu é se igualar com o culpado.

Que possamos viver dias melhores, olhando o outro com empatia e sendo simpático. Mais amor, por favor! D esabafar é permitido, condenar não é nosso direito.

Beijos de luz,
Michelle Cruz
Se a luz não iluminar o seu caminho que, pelo menos, fulmine as ideias ruins.