Estou na fase de desabafos, cansei de ouvir e não dar as respostas devidas. E quero falar sobre felicidade. E posso dar a certeza pra qualquer um: Quem sabe da minha felicidade sou eu! E mais ninguém. Cada um tem a sua ideia de felicidade.

Eu fico feliz de ficar em casa fazendo crochê, lendo, ouvindo música. Quando encontro meus amigos, quando viajo, quando consigo terminar um curso, quando consigo cumprir os meus objetivos. Fico feliz quando vejo meus amigos felizes. Quando vejo pessoas desconhecidas conquistando seus objetivos.

Fico feliz por bobeiras que nem tenho como exemplificar. Sou feliz todo dia? Toda hora? Não! Mas, eu busco estar com pessoas que se identificam comigo e fazer atividades que me façam perder a noção do tempo.

Felicidade pra mim não tem relação a ter fama. Porque ter fama é um perigo, pode ser fama boa ou ruim. E a fama depende da opinião dos outros. E todo mundo tem bom senso? Não. Todo mundo sabe da minha vida pra avaliar? Não.

Felicidade não é ter milhares de pessoas a minha volta e eu não saber quem são. Tenho uma necessidade enorme de conhecer as pessoas, de conversar, de olhar nos olhos. Eu gosto de proximidade, de vivência, de abraço, de rir, de chorar. Eu gosto de sentir as pessoas. Isso me faz feliz, ter trocas de experiências.

Eu fico louca quando alguém só me questiona e não me fala nada dela. Eu fico triste, cansada de pessoas que só sugam energia. Que quer saber da minha vida e não quer falar da própria. A vida pra mim são trocas. Nada relacionado a dinheiro. Trocas de emoções e sensações.

Quando comecei a modelar as pessoas ficavam dizendo “Nossa você vai ser uma Gisele Bündchen” ou “Futura Naomi”, eu ficava pensando que eu nunca poderia ser apenas ” A Michelle”. Essa ideia de sempre ter que seguir uma referência é torturante. Eu que sou magra já não me sinto confortável. Pra quem é “fora do padrão” isso é inaceitável. Espero que as mulheres “fora do padrão socialmente correto” se empoderem e comecem a dominar espaços nas mídias. Eu que sou magra estou cansada de ver as loucuras da ditadura da beleza.

Acho interessante como as pessoas gostam de acreditar que felicidade está relacionado a ter fama e dinheiro. E acho o fim do mundo, quando alguns me olham e dizem que eu sou bonita, que é uma pena eu não ter dado certo. Não ter feito sucesso, não ser rica. Uma pena? Então, eu só vou ser feliz quando for rica? Tô ferrada! Pelo amor…

E eu fico abismada, porque eu tenho a minha história, tive diversas conquistas que me fizeram feliz e eu preciso sempre provar com grandeza financeira que eu sou bem sucedida.

Quando é que a frase “Quem tem conhecimento tem tudo” vai ter algum valor?

Quando me formei na faculdade não tinha nem cotas. Ralei muito pra terminar o curso. Tive oportunidades de trabalhar em grandes empresas, fui estagiária, supervisora e, hoje, busco ter meu próprio negócio. Viajei para lugares que eu sempre quis conhecer, fiz diversos cursos por curiosidade, outros para melhorar meu desempenho profissional.

Por questões financeiras tive que acomodar meus sonhos de ser artista. E trabalhar com outras atividades que não tem relação com artes, que me deixavam cansada e dificultavam para ter tempo pra “brincar de ser artista”. Porque sempre que falava para as pessoas que eu queria ser atriz ou apresentadora de programa riam de mim, porque eu não tenho perfil, não nasci no meio artístico… a história do racismo rondava. Mas, não quero falar dessa parte da história.

Me sinto feliz em ter o blog hoje, em ser colaboradora no site Obvious. Em ter gravado uma Demovideo para divulgar as minhas habilidades…

Fui muito feliz por ser a Marilyn Negra do Biaggi por um dia. No concurso Estrela Lux da Revista Cosmopolitan.

Nova Cosmopolitan

Fiquei toda orgulhosa quando fui convidada para participar de um filme de moda para a marca Prógono . Como eu vou dizer que eu não sou uma artista? Posso não ser famosa, mas eu sou uma artista! Desculpa… rs… minha humildade foi passear…

Não sou rica. Não tenho milhões de seguidores. Não sei o que vai me acontecer amanhã. Se vou morrer ou não. Eu só posso dizer que o que depender de mim serei feliz.

Fico transbordando de felicidade quando consigo expor minhas ideias através da arte. Como quando criei a personagem Severina, durante uma aula de interpretação. Que é um grito de libertação, em nome de garotas que sofrem abuso em troca de latinha de sardinha. Que são situações que ocorrem no nosso Brasil e tive conhecimento durante as minhas andanças…

E mesmo com as experiências não tão agradáveis, de quase ver a morte por ter um trombo na panturrilha direita e passar três dias pedindo a Deus pro coágulo dissolver, pelas pessoas malvadinhas que me ensinaram a ser mais seletiva. Que me ajudaram a ter um senso crítico mais apurado e a decidir pra que não decidam por mim. Eu sou grata!

Quando tenho momentos ruins prefiro olhar para os momentos bons e divertidos… modelando… relembrando a tentativa de tocar violino… viajando… voando, rs! Tentando jogar golfe… patinando… vivendo novas experiências…

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Pois bem… eu não precisei ficar rica pra viver esses momentos. Tive a iluminação do Papai do céu, o apoio de pessoas queridas e fiz muita economia… persistência pra fazer o que eu queria e sonhava que seria possível.

Ser uma artista e viver disso é um assunto mais complexo… talvez, eu consiga… talvez, não… pouco importa eu vou continuar fazendo arte do meu jeito, no meu tempo e seja como Deus quiser.

Eu não sou a Gisele, porque eu sou a Michelle. Uma mulher negra, brasileira, aventureira, fora do padrão, que tem personalidade forte e que é feliz do jeito que Deus me abençoou.

Beijos de luz,
Michelle Cruz
Se a luz não iluminar o seu caminho que, pelo menos, fulmine as ideias ruins.