É ótimo quando os pares se satirizam, é algo justo, ainda mais quando a conversa é entre homens. O time que geralmente se une pra se defender e nunca gosta de fazer críticas de si. O mundo está se modernizando, não é apenas o sexo oposto que faz críticas. Afinal, não existe o sexo certo, e sim, atitudes coerentes.

Fernando Guifer, jornalista e escritor, postou nas suas redes sociais o texto Alguém precisa parar Rodrigo Hilbert. Dizendo que Rodrigo é um ‘homão’ da porra, faz de tudo em casa. Ele cozinha, sabe crochetar, cuida dos filhos, ator, é o homem multifacetado. O inatingível para os homens comuns.

E por sua vez, Rodrigo respondeu a fama de ‘homão’ da porra através de um vídeo feito para o programa Saia Justa com o título Rodrigo rejeita rótulo de ‘homão’ da porra e destaca as mulheres da família. Rodrigo reconhece o valor de sua criação, a forte presença das mulheres de sua família. Diz que não concorda com o rótulo e se considera apenas um homem moderno.

O interessante nesse episódio é que ao não assumir que é um ‘homão’ da porra Rodrigo Hilbert cria um mito do homem perfeito. Sem dar as dicas de como ser um  super homem. E como se os outros homens tivessem a mesma criação e sorte do que ele.

É um perigo acreditar que supervalorizar o homem ideal é a melhor maneira de se dar exemplo do que o mundo deve almejar. A resposta de Rodrigo gera preconceito com os homens. E como mulher, como quem busca a igualdade não posso deixar passar em branco essa situação.

Rodrigo é muito correto em dizer que é obrigação dos homens ajudarem as mulheres nas atividades diárias. Mas, ele se intitular um modelo de homem moderno também não é adequado. Ele é uma exceção no universo homens que foi criado fazendo tarefas femininas e ainda ser bem sucedido.

Para Rodrigo legitimar todo esse poder de real homem moderno, ele precisa contar como foi conviver com os amigos e familiares exercendo essas atividades femininas. Como foi enfrentar o preconceito. Com certeza, virá a tona privilégios que ele teve para criar essa imagem de homem ideal. O que não é real.

Um exemplo de real homem moderno é o artesão Neddy Ghusman. Aprendeu crochê aos 7 anos pra ajudar em casa, já foi professor, cantor de banda de Axé e, atualmente, exerce apenas a profissão de artesão. É um homem casado. E só começou a divulgar que fazia crochê quando sua esposa o apoiou, porque tinha medo do preconceito social que sempre existiu. (Neddy Gushman no É de Casa contando a sua história)

Toda história que romperam paradigmas sociais passaram por conflitos e superações. Superaram medos. E é essa história que motiva outras pessoas a seguir bons exemplos.

Está mais do que na hora de prestarmos mais atenção nas ações das pessoas do que defender sexos. Aprender a valorizar as pessoas pelo que elas fizeram e não pelo que elas consideram certo. De parar de criar ideias inalcançáveis e que geram mais preconceito entre nossos pares.

Rótulo não garante conteúdo. Levantar bandeiras baseados em ideais não ajuda a criar um novo mundo, um mundo real. O Homem moderno deve ser realista. Deve valorizar seus pares. E precisa contar das suas alegrias e tristezas. E não apenas das alegrias e vitórias. A vida é feita de direito e avesso, se faltar alguma parte estamos omitindo a verdade. Talvez, estejamos criando uma mentira. E vivendo num mundo injusto.

Beijos de luz,
Michelle Cruz
Se a luz não iluminar o seu caminho que, pelo menos, fulmine as ideias ruins.
 

Imagem: GNT