Aprendi com a minha avó na cozinha, colocando a mão na massa e ajudando, que é entre a bagunça e a organização que a vida se molda até ser perfeita, cada um a seu modo. Porque felicidade é fazer o que ama, experimentando o novo, sem se acomodar, sem ficar resmungando.

Temos o costume de criar padrões para definir o que é bom, acreditando que a nossa maneira de agir é a melhor e a mais correta. Esquecendo que as pessoas a nossa volta tem experiências únicas e diferentes maneiras para ser feliz. Sem contar que felicidade é uma questão muito relativa, cada um tem a sua referência sobre o que é ser feliz.

Na tentativa de entender o que é felicidade, posso dizer que felicidade é uma conquista. Conquista é algo que a gente consegue porque gosta e dá valor. Valor para alguns é dinheiro e para outros é ter bom caráter. O que torna impossível chegar a um consenso sobre o que é felicidade comum a todos.

E como todos estão sempre em busca da felicidade, é óbvio que ninguém tem uma vida perfeita e feliz o tempo todo. Toda pessoa passa por períodos ruins e o que define se essa pessoa continuará ou não vivendo um momento ruim é a forma com que ela decidi enfrentar cada desafio.

Algumas pessoas podem não assumir, mas, nós decidimos nossa vida “olhando na casa do vizinho”. Sim, comparamos as nossas vidas o tempo todo com a dos outros. Pode não ser realmente o vizinho que mora ao lado da nossa casa, mas, será analisando a vida das pessoas que chegaram onde sonhamos ou evitando o comportamento das pessoas que chegaram onde não queremos estar.

A velha história de que a “grama do vizinho é sempre mais verde” ou que “a minha família é perfeita, mas, a família dos outros é que tem problema.

Quando falamos das nossas preferências, falamos do que experimentamos, do que vimos no outro e almejamos ou desgostamos.

Se eu gosto de cozinhar, vou adorar ter vários utensílios domésticos na minha cozinha. Vou adorar assistir programas de culinária. E quando eu deixar a cozinha na maior bagunça com a mesa farta de comida gostosa não vou me preocupar com a sujeira. Porque sei que faz parte do final feliz ter a cozinha toda suja. E estarei feliz de qualquer maneira, porque faço o que amo. Mas, as minhas preferências diante de uma pessoa que adora limpeza e não gosta de cozinhar será horrível.

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E se eu convidar essa pessoa que adora limpeza para jantar na minha casa ela vai adorar a minha comida. Mas, vai ficar horrorizada de ver a bagunça que faço e vai me achar desorganizada. E talvez, saia da minha casa falando mal da minha maneira de cuidar da cozinha. E serei considerada boa e ruim pelo mesmo motivo: Boa por preparar bons pratos e ruim por deixar a cozinha bagunçada. Só porque essa pessoa nunca experimentou a alegria de cozinhar e prioriza a limpeza. Já viu esse tipo de situação?

Pois bem! Uma pessoa não é igual a outra, cada um tem os seus desejos ou vontades, obrigações ou deveres. Cada um tem a sua função social que não é igual a de todos. Muitas vezes, o que é bom para mim não vai ser bom para o outro. E em nenhum momento poderemos dizer que um lado é certo e o outro errado. Eles são apenas diferentes.

A tolerância e o respeito começa em se fazer o que gosta e progredir. Olhar a vida do outro faz parte do processo de moldar a própria vida. Entendendo que julgar ou condenar o outro lado não é correto e nem benéfico pra ninguém.

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Foi na cozinha com a minha avó que eu aprendi grandes lições. Ela dizia: “a bagunça faz parte da organização, quer comer bem, vem me ajudar, vem sujar a mão na pia. Você sentada me olhando a comida demora pra terminar e você fica achando que tudo mágica”.

A minha avó me ensinou a experimentar as opções da vida, sem rotular o que eu não gosto como se fosse algo ruim ou errado. Quem opta por algo diferente de mim nem sempre é errado, é apenas diferente do padrão que acredito ou gosto.

É entre a bagunça e a organização que a vida vai se moldando. É da imperfeição que a vida pode ficar perfeita. Perfeita ao modo de cada um.

 

Postagem nova no site Obvious, na página Inconvencional, acesse o link e boa leitura!

Fonte: entre a bagunça e a organização que se encontra a felicidade