O empoderamento feminino é a oportunidade de se viver em uma sociedade de igualdade. Transformar em atitudes a frase “Meu corpo, minhas regras” é uma das regras mais importantes para essa nova realidade.

Por muito tempo, a figura do homem foi símbolo de perfeição na sociedade. E a figura da mulher de uma coadjuvante frágil. Dando a ideia de que o gênero masculino seria superior ao feminino, o que gerou e ainda gera preconceito e desigualdade social.

O gênero de uma pessoa não pode ser considerado um símbolo de sucesso ou soberania. As qualidades de uma pessoa se determina pelas capacidades, habilidades e suas vivências. É o destaque dessas propriedades que valida a competência de uma pessoa e não a sua imagem física.

O que uma pessoa faz é mais importante do que o que ela diz. Uma boa história será apreciada e reconhecida se for registrada, escrita de forma que crie impressões valorosas as futuras gerações. Esse é o caminho do empoderamento feminino.

“Meu corpo, minhas regras” é uma frase de impacto que empodera. Transmitindo a ideia de que as mulheres sabem o que querem, tem clareza de seus limites, consequentemente, reconhece o limite das outras pessoas. Entendem que elas ainda terão de lidar com pessoas machistas que não sabem seus limites. Infelizmente, é preciso saber lidar com quem não sabe lidar consigo mesmo, faz parte da dinâmica da vida em sociedade.

O machismo se fortaleceu pela tradição de seus atos. Socialmente, criou-se certos protocolos que deu ao homem a liberdade de exercer certas atitudes que inferiorizam as mulheres e não os atribuem má fama. Como por exemplo: o homem que sai com várias mulheres não é rotulado como um “puto” ou vadio, mas como, se ele fosse um bom namorador, um garanhão.

Na busca pela igualdade dos gêneros, seguir os moldes que homens impuseram não é a melhor forma de conquistar postos para o destaque das mulheres nas diversas camadas sociais. Esse não é o momento de requerer socialmente o direito da mulher sair com vários homens sem ser chamada de puta. Afinal, não é a quantidade de pessoas com que alguém se relaciona que determina a sua felicidade. E sim, a qualidade e compatibilidade que ela tem com a outra pessoa. O que, provavelmente, não se descobre em uma noite, numa transa casual. Essa regra serve para homens e mulheres.

O que as pessoas machistas não entendem é que a mulher tem direito de querer casar ou não, sem ser julgada. Tem o direito de viajar e morar sozinha, sem ser julgada. De não ter filhos, sem ser julgada. Ela tem o direito de ser feliz da forma que a realidade dela favorecer. E para que os julgamentos sejam calados é preciso que a mulher realmente escreva sua história, ignore quem não as entendem e tomem atitudes positivas para suas vidas. Cada uma a sua forma. Não vai existir uma fórmula perfeita para que todas as mulheres consigam suas liberdades através de leis.

No momento em que a mulher dita regras se estabelece limites, limites à outras regras que à elas foram impostas. É nesse momento em que a mulher precisa ser forte não só com o que ela diz, mas também, em fazer o que ela diz ser certo.

Da mesma forma que o machismo se fortaleceu, ao longo dos anos, o discurso feminista em ação pode registrar uma nova história. Favorecendo para que o mundo seja um lugar melhor, aonde tenha igualdade. Fortalecendo a ideia de que caráter e competência tem mais valor do que a imagem de qualquer ser.

Que cada mulher, na sua realidade, seja sua melhore versão: a melhor empresária, a melhor dona de casa, a melhor mãe, a melhor chefe de restaurante, a melhor jogadora de futebol, a melhor artista, a melhor líder, a melhor pedreira, a melhor engenheira, a melhor no que decidirem ser.

Que haja união entre as mulheres, que uma fortaleça a outra, a regra mais importante é ser fiel a si mesma, buscando a sua real felicidade!

Texto publicado primeiramente no site Obvious, página Inconvencional – http://obviousmag.org/inconvencional/2016/11/meu-corpo-minhas-regras.html