Como disse na postagem anterior, o assunto Ditadura da Beleza é longo. Se não bastasse ter o corpo perfeito é preciso ter o cabelo perfeito. E se perfeição não existe? Se tudo é belo, se a beleza está na individualidade, que raio de padrão de beleza devemos seguir?

Por um bom tempo aderi a tal da moda do cabelo “chapado”, não saia de casa sem alisar o cabelo, com chapinha ou secador. Eu era uma escrava do cabelo liso. Eu tinha vergonha de sair de casa com o cabelo natural. Ouvi diversos comentários preconceituosos. Coisas como: “você parece sujinha com o cabelo enrolado”; “o cabelo liso parece mais profissional”; “cabelo liso é mais bonito que cabelo enrolado”.

Acho legal mudar o visual, não tenho coragem de mudar a cor, por puro medo de estragar o cabelo ou não gostar da transformação. Admiro as mulheres corajosas que cortam o cabelo sem dó e pintam, conseguem manter o estilo que gostam.

Mas tem uma coisa que me deixa intrigada, quando uma mulher muda a cor do cabelo, ela muda quem ela é? É estranha a quantidade de mulheres que se classificam como loiras no Brasil. Como também, as mulheres que não assumem seus cabelos naturais. Quero dizer, as mulheres que usam químicas (alisamento) para modificar o cabelo e dizem que o cabelo é natural. Como disse não há problema em querer mudar, mas, mudar e achar que é outra pessoa me transparece complicado, falso.

Toda vez que tomamos a decisão de mudar algo em nosso corpo porque comparamos com outra pessoa estamos nos castigando e nos desvalorizando. E desconstruindo uma cultura, a nossa cultura familiar, a nossa própria identidade.

E por essa desconstrução do valor de cada um, desvalorização da própria beleza e individualidades, é que atribuo a desvalorização da nossa própria cultura histórica. Temos a tendência de supervalorizar o importado, o diferente, e nos tornar inferior. Quando na verdade o brasileiro deveria ser o povo mais orgulhoso pela diversidade da cultura que temos no país.

Mais uma vez… o que determina o que é melhor para nós são as nossas escolhas e a imagem de nós mesmos.

Beijos de luz,
Michelle Cruz