Quando eu era mais nova, na faixa dos 14 anos, eu tinha um grupo de amigas que eramos inseparáveis, unha e carne. Tudo planejávamos pra fazer juntas,  fazíamos compras juntas, íamos nos mesmos lugares juntas. As amigas chicletes!

E conforme o tempo foi passando e as responsabilidades da fase adulta foram tomando conta das nossas vidas nos separamos. Cada uma decidiu cursar uma faculdade diferente da outra, cada uma decidiu partir pra uma cidade diferente da outra. Mesmo com as distâncias e diferentes rotinas continuamos ligadas pelo passado, pela vivência dos bons momentos, conectadas pelo facebook também. Mas, já não tínhamos mais o mesmo contato, as mesmas afinidades, disponibilidades de antigamente.

Mesmo longe somos amigas, amigas da época de adolescência, amigas das farras passadas.

E cada uma no seu novo mundo, criou novos vínculos, conheceram novas amigas. E nessa nova fase, mudanças aconteceram, criamos novos interesses, objetivos e até mudamos alguns valores.

E o engraçado é que, as vezes, leva um tempo pra entender que o mundo é fixo, o planeta gira sempre para o mesmo lado. E que nós é que mudamos, as pessoas, quem vivemos na terra. É óbvio isso, mas nem sempre as nossas ações são coerentes.

Temos a mania de se apegar, tomar posse de coisas e pessoas como elas fossem eternamente nossas e do jeito que a conhecemos. E não é assim!

Acabamos por ser injustos sem perceber. Porque se eu encontrar aquela minha amiga da época de adolescente e ela estiver diferente de mim isso não determina se ela está melhor ou pior. Ela simplesmente está diferente. E ser diferente não é ser certa ou errada.

Esse é o momento que a empatia precisaria ser praticada.

É muito difícil alguém passar a vida toda sendo a mesma pessoa, é contra a lei da nossa própria natureza. Ninguém será jovem eternamente. Ninguém será burro eternamente, só se a pessoa quiser. Ninguém tem tudo o tempo todo.

A nossa mente mente pra gente e a gente nem percebe. Gostamos de novidades, mas as novidades que se encaixam com a gente, caso contrário, odiamos.

Pensando sobre as relações de amizade é muito bom perceber que eu vivi bem as minhas fases passadas. E que as amigas da adolescência por mais diferentes que estejam, foram as melhores naquela época. E que é gratificante eu poder perceber o quanto me desenvolvi naquilo que eu queria e como é bom ter novas amigas.

Como é bom viver cada fase da vida sendo sincera consigo mesma, longe de comparações e analisar as pessoas. E apenas ver o quanto foi bom pra si mesma.

Foco na própria vida, é o caminho da alegria!

Obrigada a todas as pessoas que cruzaram meu caminho, que me ensinaram, todos são responsáveis pelo que somos hoje em dia.

 

Beijos de luz,
Michelle Cruz

Obs.: Se os “beijos de luz” não iluminarem seu caminho que, pelo menos, fulminem com os pensamentos ruins.