Eu sempre quis falar sobre o empoderamento feminino, das injustiças e abusos que eu e muitas mulheres vivemos no dia dia, diante da cultura machista ativa no nosso país. E ao mesmo tempo, evitava de falar por parecer extremista. Cada situação de preconceito que eu abordava e começava a esmiuçar a situação, em alguns casos, me voltava ao posicionamento da mulher diante da situação negativa. E muitas vezes, conflitando com a ação de outra mulher e não necessariamente com a imagem de um homem machista.

Sem contar que eu não faço o estilo de mulher que vai levantar a bandeira em defesa das mulheres, incitando a necessidade de ter poder sobre os homens. Isso não é buscar igualdade. É na realidade, criar uma nova ordem de desigualdade.

E uma das minhas dificuldades é levantar a bandeira e sair em nome de empoderar mulheres que nem sempre estão disponíveis para lutar por elas mesmas. Eu não me refiro as grandes ativistas que estão na lideranças de militâncias. Essas respeito pois de fato tem uma história de vida, como exemplo, pra que outras consigam se libertar de seus temores. Eu me refiro as mulheres que veem as injustiças diariamente e reforçam que o padrão machista é assim mesmo e não vai mudar.

Do que adianta, eu levantar a bandeira em defesa da mulher se eu tenho mulheres fazendo força contrária?

Pensando na Lei Maria da Penha, do que adianta uma lei para coibir a violência contra a mulher, se existem mulheres que não as usam. Ou que denunciam, mas quando chega o momento de prender o agressor elas decidem retirar a queixa? É um trabalho exaustivo! Defender alguém que não quer defesa.

Outro ponto, são as mulheres que são mães, as que tem filhos homens em casa e decidem dizer que o homem não deve fazer serviços domésticos. Quem inventou essa teoria? Esse tipo de mulher que diz que o homem não deve fazer serviços domésticos é machista. E está plantando uma sementinha da discórdia na mente de uma criança. Que será um adulto extremista e preconceituoso. Um futuro ditador!

Quando vejo milhares de crianças em orfanatos e nas ruas eu me pergunto “onde estão os pais?”, sumiram? Morreram? E a nossa cultura, a lei da Bíblia, diz que os pais nunca abandonam os filhos. Então, falar que um pai ou uma mãe são injustos é pecado, mesmo que eles sejam irresponsáveis. E o que coloco em discussão é o desnecessário endeusamento sobre a figura de mãe. Seguindo o meu raciocínio, e atual situação, um dos grupos que continuam propagando a cultura machista são as algumas mães. As que criam crianças!

Só poderemos falar dos pais, os homens, como responsáveis nesse processo, quando as mulheres começarem a inclui-los.

Por exemplo:
– a mulher solteira diz “nenhum homem presta! Eu não confio em homens”. Quer dizer que as mulheres solteiras estão ferradas, nunca serão felizes em um relacionamento? Só as mulheres são boas? Na busca pela igualdade não se deve criar preconceito, se fazer pré-julgamento de nada e ninguém;
– a mulher está grávida e diz “eu não vou deixar meu marido dar banho no meu filho, ele é muito bruto, só eu vou saber fazer isso’. Quer dizer, anula qualquer ação do homem e ainda diz que ele não pode ser leve no trato com a criança;
– a mãe com filhos adolescentes que diz “meus filhos, homens, tem que casar com mulheres BOAS, que gostem de cozinhar e cuidar da casa, porque meu filho foi bem criado por mim e vai trabalhar fora. Nada de fazer serviço de mulherzinha”;
– a mulher casada se referindo ao marido: “eu quem faço tudo nessa casa, porque se deixar pra ele, credo! Nada é feito!” Essa mulher já tentou conversar com o marido? Ela deixou espaço para ele fazer? O que me parece que estamos criando uma geração de “mulheres machas”, não quero inibir as mulheres gays. Até porque existem mulheres femininas, delicadas que são gays. Refiro-me ao comportamento de ser mandona, autoritária, uma ação desnecessária e injusta. Igual a maioria dos homens machistas tem.

Antes de levantar a bandeira de uma causa temos que analisar o caso. Existem mulheres que são injustiçadas que graças as militâncias femininas elas conseguem se tornar mulheres empoderadas e vencer as agressões e humilhações.

Mas, infelizmente, existem no nosso meio mulheres que não entendem a força da cultura machista. E acabam desmerecendo grandes trabalhos e rebaixando a imagem da mulher.

Uma coisa é fato, o poder da mudança está em nossas mãos. E não é um poder de se julgar melhor as outras pessoas. É o poder de cada mulher, individualmente, fazer mudanças positivas nas suas vidas.

Empoderamento é mudança de cultura!
Empoderamento é atitude individual!

Beijos de luz,
Michelle Cruz

Obs.: Se os “beijos de luz” não iluminarem seu caminho que, pelo menos, fulminem os pensamentos ruins.