Continuação da estória “Uma mulher e seus sonhos”, se não leu a primeira e a segunda parte acesse os links – parte 1 e parte 2.

Quando minha filha saiu de casa, nem nos deu satisfação, não disse nada do que iria fazer. Eu perdi o chão Ela nunca foi de tomar atitudes tão radicais. Ela sempre foi muito centrada, mesmo não aceitando minhas imposições.

E me restou chorar, as dores de estômago e a terapia. A terapia que salvo minha vida, salvo meus relacionamentos e me trouxe a felicidade.

E durante o tempo que minha filha se afastou de mim percebi as coisas que já relatei e muitas outras coisas.

Eu vi como fui omissa as minhas necessidades e vontades. E que me anular só pra dizer que eu era “boazinha” foi a pior atitude que tomei na minha vida. Meu ego, o fato de me sentir com o poder controlando todos era apenas um capricho pessoal. E o principal motivo de ter destruído minhas relações.

Depois de um bom tempo de terapia, eu me analisando, eu tendo foco apenas em mim, redescobri uma mulher que eu sempre quis ser e nem imaginava que teria força de faze-la reviver.

Não foi fácil assumir meus erros, assumir todas as minhas fraquezas. Nem tudo consegui assumir diante daqueles eu mais machuquei, mas, pelo menos, tenho mais cuidado pra não repetir os mesmos atos.

Retomei o curso de história. No próximo ano vou me formar e serei a professora que tanto sonhei em ser. Eu já estou dando aulas de reforço, voluntária, em um colégio perto de casa.

E quem me ajudou a dar aulas lá foi a minha filha.

Ela nunca mais voltou pra casa. Hoje, ela tem a casa dela. Está casada.  Tem a família dela. E eu tenho o espaço na vida dela que eu sempre sonhei. Trabalhamos juntas no projeto social que ela fundou no bairro. E nossa relação é muito melhor.

Tudo porque eu decidi cuidar das minhas asas e voar. E a deixei cuidar do sonhos dela, eu a deixei voar da forma que ela queria e precisava.

Seria tão mais simples se eu tivesse entendido que a felicidade está em saber voar, em deixar as pessoas voarem. Em voar da forma que sempre sonhei em me realizar.

Quem cresce no ninho com direito a sair pra voar nunca esqueci o minha pra voltar. E foi o que aconteceu com ela, quando a deixei voar ela voltou muitas vezes pra me visitar.

O amor é algo natural, não se impõe, não se obriga, nasce da empatia.

Hoje, sou uma mulher realizada.