Essa é a continuação da estória da mulher que reflete sobre as suas estórias do passado, para buscar a sua felicidade. Revendo, se refazendo, recomeçando. Pra quem quiser ler a primeira parte acesse Uma mulher e seus sonhos

Ser mãe era realmente o meu sonho. Eu sempre gostei da ideia de ter filhos, não tão rápido como foi, mas tinha.

Eu sinceramente não gosto de lembrar de tudo o que ocorreu há anos atrás. De como eu não tive preparo pra lidar com meus filhos. Minha mãe me ajudava. Só que era a maneira dela. A maneira que eu não gostava. Eu não achava que ela teve muito jeito para lidar comigo.

E só depois das terapias percebi que eu reclamava dela, mas era igualzinha a ela no tratamento dos meus filhos. E não tinha como ser diferente, era o que eu tinha aprendido, era como eu tinha sido trata, eram as minhas referências.

Eu chegava cansada do trabalho e eles queriam atenção. Eu não tinha cabeça pra isso. E eu ficava enciumada quando meu marido e minha mãe dava atenção pra eles. Eu sei que não era um sentimento bom. Como mãe deveria ficar feliz. Mas, eu queria ter curtido mais os primeiros anos de casada. Queria que minha mãe fosse tolerante comigo como estava sendo com os meus filhos.

Meu lado mulher, esposa e filha sempre foi carente. E ninguém reparava. Eu era a mulher que deveria cuidar de todos, fazer tudo para todos e ninguém percebia o meu desgaste.

E eu fiquei revoltada. Foi uma fase que em tornei amarga. E nada estava bom pra mim. Eu não sabia conversar. Eu não tinha coragem de me abrir, de dizer que tudo aquilo me deixava triste. Que não era a vida que eu queria.

Eu me desdobrava pra fazer tudo e deixar todos satisfeitos, na esperança de ser percebida. E essa minha ação, esse desespero para chamar a atenção e controlar tudo fez com que eu criasse uma família acomodada. Eu fiz com que todos dependessem de mim.

No fundo eu me sentia bem. Eu me sentia poderosa. Todos viam falar comigo. Tudo que tinha que resolver na casa passava por mim. E era confortável.

Foi confortável até que meus filhos começaram a criar asas e querer voar. Eu sendo uma dominadora queria meus filhos debaixo das minhas asas eternamente.

Meu filho era mais apegado a mim e não tinha muitos sonhos distantes. Mas a minha filha parecia uma águia, queria voar pra longe e rápido.

Isso não estava nos meus planos. Falar que eu estava criando meus filhos pro mundo era lindo. Viver isso era horrível.

Minha mãe me criou pra cuidar dela na velhice. E eu achava muito errado. Mas, quando tive meus filhos comecei a pensar e agir da mesma forma. E os mantive o máximo possível debaixo da minha asa.

E quando minha filha decidiu quebra as minhas regras eu me tornei alguém realmente agressiva. Cheguei a bater nela quando ela já tinha mais de 20 anos. Ela se fechou comigo. Depois disso não voltamos a nos falar  normalmente.

Eu perdi a cabeça e não tive coragem de assumir meu desespero.

Foi uma das fases mais complicadas, difíceis, revoltantes que passei. Eu não tinha coragem de me desculpar e ela também  pela pressão do momento me disse coisas que eu nem gosto de lembrar. E me enfrentava com olhar de revolta, como seu eu não tivesse direito de querer ela do meu lado. Como seu eu nem fosse a mãe dela.

O que mais me irritava nela era a coragem em me enfrentar e fazer o que ela queria. Ela agia da forma que eu queria agir com a minha mãe. Aquilo me dava orgulho, mas, ao mesmo tempo, me dava ódio. Ela era rebelde as minhas ordens, as minhas vontades de mãe. Era inaceitável pra mim!

O fim disso foi que minha filha saiu de casa.

E foi daí, que comecei a frequentar um psicólogo. Eu perdi o controle, comecei a ter problemas de estômago e dores de cabeça incontroláveis. Meu sistema nervoso estava abaladíssimo. Meu marido não me aguentava, nem meu filho, ninguém mais sabia como lidar comigo. Fiquei descontrolada. Na verdade, tive que frequentar psiquiatra, pra tomar medicamentos que me ajudassem a ficar mais calma.

Próximo capítulo… a terapia, a melhora!