Voltando a ativa com os personagens e suas confissões, essa é a estória de uma mulher que na década de 80 sonhava em terminar a faculdade, casar, ter uma família e ser feliz pra sempre. E que por falta de foco se perdeu no caminho. Hoje, ela quer se realizar. Ela desabafa como consegue dar a volta por cima. E realizar parte do que era teu sonho.

Eu sempre busquei a felicidade, sempre estive certa de quais eram os meus sonhos. E realiza-los sempre pareceu muito distante. Hoje, vejo como eu me omiti, na verdade, me escondi da minha felicidade.

Eu achava que a felicidade iria bater na minha porta. Que como um milagre fosse aparecer do nada, como surpresa. E ela poderia sim ter aparecido repentinamente, em meio a minha busca, mas sem nenhum esforço da minha parte foi impossível.

A minha ideia de milagre era tão errônea, chego a sentir vergonha sobre a forma que eu pensava. Eu achava que sem buscar o que eu queria algo aconteceria como na imaginação.

Depois de 50 anos entendi que o milagre é a realização, mas antes existem muitos passos, muita dedicação para se tornar realidade.

Considero que a minha vida começou sair do rumo no período que eu estava no segundo semestre da faculdade de História, eu tinha 23 anos. Eu estava me sentindo realizada. Afinal, eu era a única estudando na minha família. Eu me sentia forte, melhor do que todos em casa. Eu estava mais adiantada. Tudo caminhava bem! Até que eu fui tomada pelo desespero.

A maioria das minhas amigas estavam noivas e eu não. Meu namorado não resolvia nada! Estávamos juntos há 7 anos e sempre que falávamos de casamento ele me enrolava. E eu com medo dele terminar comigo de uma vez acabava ficando quieta.

Um dos meus erros naquela época foi me preocupar com o que minhas amigas estavam vivendo. Não ter focado nas minhas reais necessidades. Eu queria estudar, eu precisava trabalhar e tudo estava caminhando do jeito que eu queria. Maldita hora que resolvi me comparar com elas. Cumprir o socialmente correto.

Se não fosse a pressão que a minha mãe fez e as minhas amigas também,  dizendo que eu continuaria sendo enrolada pelo meu namorado. Que hoje é meu marido. Nada da loucura que foi minha vida teria acontecido. Bom, chorar sobre leite derramado não adianta em nada.

Depois de 6 meses pressionando e ameaçando de terminar o relacionamento. Casamos. E o ridículo foi que eu tinha medo que ele terminasse comigo seu eu insistisse. E quando comecei insistir ele concordou e fez o que eu queria.

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E depois que percebi que ele era movido a pressão, uma lado que eu ainda não tinha percebido que poderia controla-lo em algumas situações. Fiz disso a minha diversão. Achava que essa forma de trata-lo seria a solução das minhas discórdias com ele. Por um bom tempo isso deu certo, quando ele começou a perceber que eu estava agindo propositalmente, ele começou a me tratar de forma muito ríspida.

Hoje, vejo como fui infantil e manipulei os sentimentos dele. Eu achava que eu era besteira. Que não teria um desgaste tão grande. A realidade que o desgaste não foi só dele, foi meu também.

E nosso começo de casados foi muito tribulado. E pra ajudar, a família questionava o tempo todo, todos que nos encontravam queriam saber “quando são ter filhos?”. E eu nem imaginava ter filhos. Eu tinha que terminar a faculdade. ão ganhávamos o suficiente para terminar de pagar as coisas do casamento e mais enxoval para bebê.

Mas, meu marido e minha mãe não falavam em outra coisa. Apenas em ter uma criança em casa. Aquilo me deixava irritada. Sempre sonhei em ter filhos, mas não naquele momento.

E como um pesadelo, na rapidez que eu queria que eu queria que meus sonhos se realizassem, nunca acontecia. Engravidei no 4 meses de casada. Depois de 4 meses tentando me acostumar com meu marido tive que me acostumar com a ideia de ser mãe.

Eu tinha como evitar, poderia ter tomado pílulas, inventado ao pro meu marido esquecer a necessidade dele mostrar pra família que eramos uma família normal. Que estávamos seguindo o caminho do socialmente correto. E não consegui ser forte. E conversar com ele da forma que precisávamos.

A pior parte dessa fase foi que na família dele existia a tradição de o primeiro filho ser homem. Era ridículo! Mas, infelizmente, era o assunto nas reuniões de família. A torcida era que fosse menino. E uma das irmãs dele que parecia uma bruxa, dizia; “Fulana teve menino. Bertana teve menino. Todas as mulheres da nossa família tiveram meninos. Faz o favor de também ter.” Eu ficava irritada com o comentário dessa cunhada endiabrada. Eu comentava pro meu marido e ele nem me dava atenção. As vezes, dizia que era bobagem e que me amava e que ficaria feliz com qualquer criança que nascesse.

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Pois bem, nasceu o bebê! Uma menina! Linda! Minha filha! Que orgulho! Eu dizia que era o eu troféu. Eu tinha uma ideia muito errada sobre ter filhos.

O que realmente aconteceu foi que eu tinha me distanciado do meu sonho de ser professora de história. Meu sonho pessoal e profissional tinha se tornado impossível. Eu mal tinha força pra trabalhar e cuidar da menina. Nem conseguia pensar em ter tempo pra estudar.

Eu considerava a minha filha meu projeto de vida, era o que ocupava o sonho de se tornar professora. Nunca assumi pra ninguém isso. Só depois de muita terapia percebi a troca que fiz, muito injusta. Mas, fiz!

Em nome de dizer que estava me doando para minha filha, sendo uma mãe dedicada. O que eu acabei nunca sendo pra ela. Pois estava frustada com a minha vida. Fui uma mãe muito malvada.

Essa conversa de amor incondicional naquela situação nunca existiu. Eu amamentava e dizia que amava, eu odiava! A cada mamada que minha filha mordia meu peito era terrível. Eu fui me irritando.

E a pior parte, meu marido adorava mostrar a nossa filha pra todos. Pega-la limpinha e passear. E a parte de cuidar, trocar fraldas, cuidar de criança doente era toda minha! Que revolta! É maravilhoso ter um filho. É maravilhoso ter essa oportunidade. É um presente de Deus, mas quando temos realmente alguém do nosso lado com a mesma dedicação para cuidar da criança.

Na época eu não percebi minhas ações, mas relembrando vejo como eu era ruim com a minha filha. Eu comecei a atribuir a ela todas as minhas frustrações. Especialmente, porque eu comecei a ter a jornada de seguir o que as amigas faziam com seus filhos.

As comparações começaram a me tomar tempo novamente. A maior parte da minha vida se resumiu em viver para o meu marido e minha filha.

Passado dois anos, eu tive outro filho. E daí, a minha vida estava mais calma, eu já tinha passado a experiência de ter a primeira filha. Consegui me organizar melhor e a gestação foi bem mais calma. E a criação dele foi mais fácil.

Quero dizer eu considerei mais fácil. Imagine que eu rotulei a gestação dos meus filhos, entre a boa e a ruim. Inconsciente, eu fi isso!

Próximo capitulo… criação dos filhos.