Eu me acostumei a olhar pra frente, a seguir em frente e não olhar para os lados. Pra mostrar que sou forte. Pra nunca perder o foco. Pra deixar pra trás o que não mais valia a pena. Pra me fazer acreditar que tudo tinha passado e não faria mais parte do presente, não influenciaria meu futuro.

Caminhei tanto, foquei tanto, que me sufoquei tanto. Que me cansei tanto, mais tanto, que nem eu sei porque tanto sofri. Eu cresci, desenvolvi habilidades, sensibilidade, superei sofrimentos, escondi meus tormentos, ignorei verdades. Foram altos e baixos, sussurros e gritos, mansas e boas conversas e muitas taças de vinho.

Foram anos intensos, iluminados, nada tranquilo, mas bem vividos. Muitas vezes, reprisando meus instintos, minha mania de querer acertar e com a falha humana de conseguir errar. Na ânsia de viver o novo me confundia dizendo ser autentica, se na verdade eu era repetitiva.

E, hoje, paro. Penso. E repriso, na mente, sem mentir pra mim. Eu tenho feito o meu melhor, todo bom sentimento é válido, gastei muito tempo com o que não era preciso, mas eu precisava. E só percebi isso hoje, depois de ter passado tudo. E meu passado se faz real hoje, meu passado não superado insisti no hoje. Impedindo meus novos momentos no futuro.

É perceptível que não sou a mesma de 10 anos atrás e, talvez, daqui alguns anos serei muito diferente de hoje ou não. A única certeza é que serei eu mesma, ainda serei autentica, com a mania de querer acertar nunca me abandona. E querendo ou não os erros de hoje me levarão aos acertos de amanhã, ao meu futuro. A teimosia, a determinação sempre me acompanharam, é o tal do instinto. E no passar dos dias sutis e pequenas mudanças guiam para novos caminhos, com mais sentido.

Sigo no caminho. Agradecendo a Deus, eu sigo, com meu instinto, correndo risco, vendo muitos sentidos para continuar sorrindo. E agora, olhando pra todos os sentidos… sentindo…