E a coragem de ser diferente do padrão causa constrangimento no meio social. A mulher tem um padrão comportamental a ser seguido? Ela tem sentimentos, ela vê diferentes sentidos pra vida dela e nem sempre combina com todo mundo. Essa é uma estória de uma jovem mulher confusa, no seu momento pensativa…

Um dia lindo. A vida aparentemente em ordem. E nada faz sentido, porque eu sinto o vazio, na verdade, eu o imagino. Sentimentos destorcidos.

Olho no espelho. Não vejo nada de bonito. Dirijo-me a sala. Olho através da janela, avisto ele vindo e dizendo “meu mundo não poderia ser mais lindo, você meu amor”. E eu não acredito. Por força do hábito eu respondo “é você, amor”.

Ele entra pela porta da sala e logo me dá um selinho. Eu o admiro. Mas o que ele sente eu não sinto.
Nada faz sentido, eu sinto! O amor que eu sentia eu não o sinto. E ele ainda vem sentindo. Como pode ser recíproco um sentimento não refletido?

Com tanto sentimento sem sentido, mas declarado, afasto pro meu quarto. Meu refugio ao lado de todos. Daí, sinto-me livre, trancada em meu quarto. E passo alguns minutos.

Toc-toc… toc-toc. Eu continuo no meu silêncio. No meu refugio. Depois da segunda batida a porta se abre. Acho um absurdo. Ele entra todo amoroso, curioso, fazendo perguntas sobre o mundo. Eu aérea no meu mundo. E eu aparentemente concordando com tudo. Ele é lindo, mas continuar com ele é fim do mundo.

Um grito no fundo… “hora do almoço, todos na mesa”. Levanto e o puxo. Ele sorrindo me olha e diz que sou um sonho. De imediato, com meu bom sarcástico humor, penso em sonhos da padaria do Seu João, só pode ser! Passamos o corredor, chegando a sala ele me dá um beijo e declara de novo seu amor.

Eu me irrito. Desconversando o puxo mais rápido, dizendo que estão nos esperando.

A mesa cheia. Farta tinha de tudo, menos vinho. Rio, sorrio, rio. Alguém diz “esse casal é lindo”. Agradeço. Ele agradece. Continuo sorrindo, ele sorrindo e curtindo.

Mesmo com a falta do vinho, o almoço foi divino. Não dá pra ignorar quando o Chef Mustan aparece em casa pra cozinhar. Eu até que me animo.

Peço licença e me retiro. Sai feito um tiro no corredor.

Escuto o celular tocar e vejo o número confidencial, desconfio. Não atendo.

Ele logo vem no corredor e quer saber o que há comigo. Eu logo inverto a história e pergunto “o que há contigo?”. Ele diz que se sente estranho. Eu também me sinto. Ele diz que me ama. E eu fico ouvindo, pois não é o que eu sinto.

Deito na minha cama. Ele continua me olhando. Eu me perco nas palavras dele e fecho os olhos. Ele continua falando. Eu… (dormindo).