Qual é o esporte que tem como regra matar? Esporte é competição, é superação de limites, não é teatro da idade média. Mais vale quem faz do que quem só fala. Ronda fez a sua parte, e a Bethe? MMA feminino é uma lição para nossa nação brasileira.

O esporte é uma das melhores formas de socializar, de criar vínculos com outras pessoas e, ao mesmo tempo, desenvolver um trabalho individual. E que ajuda as pessoas a manterem o físico e a mente equilibrada.

Muitas pessoas estão aderindo a moda do “fitness”, em busca de um corpo melhor e de superar seus limites. Tudo isso é muito saudável. Se o foco de cada um for manter o espírito competitivo durante as provas, com o objetivo de superar os limites e buscar vencer em suas modalidades, é um ótimo caminho para equilibrar o meio em que se vive. É um círculo vicioso saudável: individuo equilibrado, sociedade equilibrada, no caminho da evolução.

Porém, quando o esporte é canal de comparação tudo se desfaz. Não existe aproveitamento. O objetivo de cada um é vencer a prova. E cada pessoa que entra em uma disputa não pode esquecer de seus próprios limites. E por mais que tenham pessoas a sua volta querendo conquistar a vitória, ainda assim, vencer limites é uma disputa individual. É uma questão de equilíbrio mental e físico de cada um.

A Bethe, a lutadora Pitbull, provou que a falta de foco é uma grande aliada da fraqueza. Ela focou na adversária, na lutadora Ronda, e não no seu desempenho. A atitude agressiva que ela teve antes da luta foi horrível. É demonstração de desiquilíbrio! De quem acha que ganha uma luta no grito. E não é assim! Como alguém pode gritar que é bom lutador sem vencer, sem provar? Esse foi o erro da Bethe. Como diz o ditado popular “Cachorro que late não morde”, a Bethe Pitbull latiu muito e na hora perdeu a força pra mostrar o seu potencial. A Bethe é uma lutadora forte, que ainda tem que amadurecer psicologicamente. Concentração e foco na própria superação é mais importante do que vencer o adversário.

E esse equilíbrio que a Ronda teve é algo que ela conquistou, que ela já trabalha a muito tempo. Ela é judoca! Aprendeu disciplina e defesa. Judô é uma luta com foco na defesa e não ataque. Um esporte em que se aprende a respeitar o oponente e dominar uma luta imobilizando e não querendo matar.

O MMA não é para lembrar das arenas gregas da idade média, onde se solta animais irracionais pra lutar com racionais. As atitudes dentro octógono, do ringue, podem até serem cruéis pela agressividade e poder físico de cada lutador. Mas, existem regras para esse esporte e quem luta são animais racionais. Respeitar o oponente faz parte das regras. A agressividade nesse esporte se mostra na habilidade e conhecimento das artes marciais e não com conversa.

É bom que as pessoas entendam a lição que a Ronda deu com essa luta. Afinal, o tempo é decisivo, 34 segundos foram suficientes para Bethe beijar o tatame e não o ombro. O recalque ficou no ar. Cada minuto da vida do ser humano é precioso, podemos ser tudo e nada em segundos.

E pra quem gosta muito de esbravejar precisa entender que o silêncio também é uma estratégia pra vencer, como diz o ditado popular “O silêncio é ouro”. E a Ronda deve saber muito bem disso, e entender o valor da frase de Confúcio, que diz “A humildade é a única base sólida de todas as virtudes. Não corrigir nossas faltas é o mesmo que cometer novos erros”.

Espero que a Bethe se refaça do resultado da luta de ontem e entenda o que é humildade. Afinal, brasileiro que é brasileiro não desisti nunca!