Palavras de um homem de fiel aos seus princípios que foi desonrado. Que independente do desfecho de sua história se mostrou ter coragem em nome da justiça e de viver num mundo que preze por verdades.

A cada vez que eu via uma notícia do nosso governo nas redes sociais eu ficava indignado. Eu fazia questão de compartilhar e repassar para os meus amigos. Sempre me achei na obrigação de fazer isso. Achava que era minha obrigação alertar as pessoas. Parecia que ninguém percebia a roubalheira na nossa cara. Acreditava que era direito de todo cidadão contestar esses políticos lunáticos. Esse povo insensato que elegem esses salafrários.

Como poderia achar normal tanta notícia de desgraça e ninguém fazer nada? Quanta falsidade! Já que o governo não ajuda, eu aguardava um milagre, que Deus fizesse justiça. Que prendesse essas pessoas que enganam, difamam a nossa nação. Tenho vergonha disso tudo!

Eu sempre fui contra fazer justiça com as próprias mãos, mas, hoje, me vejo numa situação triste. E realmente com a responsabilidade de fazer justiça. Eu achava que os outros que tinham responsabilidade. Que ridículo! Sempre fui a favor da pena de morte para esses assassinos frios, esses sanguinários. Condenação máxima para aqueles que roubam. Que pagassem sem direito a liberdade tudo que fizeram de errado.

Eu sou um homem sério, sempre me preocupei com a minha família. Construí minha empresa com muito suor. Comecei jovem, eu tinha apenas uma sala para atender os meus clientes. Comecei como vendedor. Agora, tenho minha própria empresa. Até me chamam de doutor. E eu nunca fiz doutorado.

Quando comecei com meu escritório nem diploma do segundo grau completo eu tinha. Eu tinha muita força de vontade e perseverança. Os primeiros anos do meu escritório não tinha muito conhecimento de vendas, sendo que sempre fui muito bom de conversa, sempre tive bons amigos, fazia boas parceiras. Busquei formas de estruturar o negócio, fiz o supletivo do segundo grau, cursei faculdade de advocacia, fiz pós em marketing, sempre fui um dos melhores alunos da turma. Tive muitas noites mal dormidas e muitas conquistas.

Realizei um dos meus maiores sonhos, ter uma família. Conheci minha mulher em uma das minhas visitas de vendas. Namoramos, casamos e ela me sempre me apoiou em tudo, crescemos juntos. Tivemos dois filhos. E prometi à eles que nunca passariam pelas dificuldades que passei. Eu daria “vida de rei” à eles. E dei! Meus filhos são advogados. O filho mais velho é quem me representava nos negócios. Ele me dizia que iria triplicar nosso patrimônio eu ficava admirado com a petulância dele. Mas o admirava.

E o hoje, meu dia amanheceu obscuro. De homem honrado me tornei um desonrado. De saber que meu filho, o filho primogênito, tão bem criado é um dos salafrários que tanto critiquei. O nome dele nunca esteve entre as mensagens que compartilhei com meus amigos. E ele fazia parte de um grande esquema de corrupção que estava diante dos meus olhos. Eu dei vida de rei para um o meu filho. E ele me devolveu com um golpe terrível.

Nessa manhã, assisti a cena mais humilhante que poderia ter. A polícia federal entrando na minha casa e levanto meu filho. Levando documentos, computadores, malas para ser averiguado. Que humilhante! Que triste! Eu estou acabado, acabado moralmente. Mas, é o meu filho! Eternamente, meu garoto! E o policial federal me disse que precisava do meu depoimento, de informações da nossa empresa. Eu me vi perdido! Ele queria mais informações para comprovar os erros que o meu filho havia cometido.

Eu criei meu filho, dei vida de rei para ele. E com esse choque eu percebi que eu errei. Eu vivi vida de escravo e eu sei o valor de cada degrau na minha jornada. E meu filho não viveu nada disso. Eu dei de graça! Não existe herança de experiência de vida. Como é triste esse meu momento. E agora? E agora sou eu quem decide o que fazer. A culpa é minha! O filho meu! A criação é minha, o descuido foi meu. Em nome da justiça que eu sempre lutei e sonhei abro mão de tudo. Para não morrer com vergonha e não me tornar verdadeira uma desonra. Entreguei tudo aos policias. E colaborei com o processo. Por muitos anos eu clamei por justiça e chegou o meu dia de colaborar.

Posso perder todo meu legado, mas não acrescentaram que fui um homem de mal caráter. Fui desonrado por meu filho. Mas, assumo o meu papel de pai que se omitiu em ser mais enérgico com meu filho. Ele errou e não posso concordar. Ele terá que pagar por todo erro cometido. Não o abandonarei, mas a justiça não pode se calar. E também não! Pagarei as consequências das minhas omissões. É a vida… aqui se faz aqui se paga, nunca percebi que isso um dia serviria pra mim.